Adônis e Afrodite, um caso de amor

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Este conto é mais um exemplo do típico padrão de histórias de pessoas que acabam morrendo ou de um amante morto que passa pela ressurreição.

Essa temática é uma das mais presentes na mitologia grega e conta mais ou menos a mesma história: uma divindade se apaixona por um mortal e este acaba morrendo de alguma forma e, posteriormente, é trazido de volta à vida. Adônis, no caso, é o mortal e amante da deusa Afrodite.

Afrodite e Adônis, como tudo começou

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Afrodite era a deusa da beleza, amor, prazer e procriação. Algumas tradições dizem que Afrodite nasceu da espuma do mar, das partes íntimas mutiladas do deus Urano depois que ele foi desmoralizado pelo filho Cronos e teve seus restos jogados no oceano. Outros, dizem que Afrodite é filha de Zeus e Dione.

Sua vida amorosa foi turbulenta, com inúmeros contos sobre amantes, amores e seu casamento com Hefesto. A deusa foi adorada por muitos, mas a princesa de Chipre, Mirra, recusou o culto à ela, sendo punida no final.

Por ironia, ou não, Adônis era filho Mirra, uma linda mulher que, quando jovem, desenvolveu certa obsessão por seu pai Cínias, rei de Chipre.

Não se sabe ao certo a origem da sua obsessão, que inclui até uma flecha acertada por equívoco de Eros. No entanto, a mais aceita é de que Mirra foi vítima da ira de Afrodite, que amaldiçoou a jovem e a fez se apaixonar pelo próprio pai.

Mirra sabia da gravidade do seu desejo e sabia que o incesto era um pecado, tentando evitar a todo custo se envolver, mas ao longo dos anos seu sentimento foi ficando mais intenso.

Com a ajuda de uma enfermeira, ela deitou-se com o pai por doze noites seguidas sem seu consentimento.

Quando ficou sabendo, Cínias tirou a espada para acabar com a vida da filha. Naquele momento, ela rezou para os deuses e, por piedade, foi transformada em uma árvore que passou a levar seu nome. Dez meses depois a árvore deu à luz a Adônis.

Adônis, o homem mais belo mundo

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Adônis era um jovem mortal de beleza incomparável – tão bonito era, que chamou atenção até de Afrodite, enquanto ela brincava com seu filho Eros. A atenção se concretiza quando Afrodite acidentalmente se fere com uma das flechas de Eros, encantando-se de vez pelo homem.

Claramente, Adônis não resistiu aos encantos da deusa. Os dois se apaixonaram e passaram a vivenciar um ardente romance.

O que poderia ter se tornado uma linda história de amor acabou por incomodar Perséfone, a rainha do submundo, deusa das flores e frutos, filha de Zeus.

O fato é que Perséfone encantou-se por Adônis enquanto observava o homem e sua amante – Afrodite – em um de seus momentos.

Eros, anteriormente tocado por ciúmes da mãe, já andava planejando atrapalhar seu romance. Assim, ele dispara uma flecha contra Perséfone, que se vê instantaneamente obcecada pelo homem, jurando tê-lo para si.

Outra figura que faz parte desse conto é Ares, o deus da guerra e irmão de Hefesto, sendo, portanto, cunhado de Afrodite.

Ares também já teve seus momentos com a deusa, muito explícitos no conto de adultério entre os dois. Consequentemente, ele não podia esconder o ciúme que tinha de Afrodite, tornando Adônis seu maior rival.

A atividade preferida de Adônis era a caça, algo que realmente fascinava o jovem. Essa atividade, no entanto, preocupava Afrodite, pois sabia do perigo que os animais ferozes poderiam oferecer. Assim, Ares se aproveita da segunda paixão de Adônis, a caça, para dar fim ao romance dos dois.

A morte de Adônis

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Em um dia de caçada, Adônis se depara com um javali extremamente forte e, através de um encanto imposto por Ares, o jovem deixa de lado a promessa feita à Afrodite e parte para a luta, arriscando sua vida.

O homem consegue ferir a besta, mas o animal estava à mercê de Ares, que o fez revidar o ataque de Adônis com toda sua fúria, ferindo-o gravemente.

Afrodite chega ao local, mas já era tarde: o jovem morre em seus braços e a deusa o enterra em um local onde posteriormente brotaram flores vermelhas que foram batizadas como Adônis.

Dessa forma, com sua morte, a alma do homem foi para o submundo, onde a rainha Perséfone estava à espera. No mundo inferior, Adônis foi muito bem tratado, reflexo dos desejos da rainha, que o acomodou em um palácio.

O rei desse local era Hades, irmão de Zeus e que, em um conto muito famoso, raptou Perséfone para torna-la sua rainha no submundo.

Em uma das noites enquanto o deus Hades descansava, Perséfone foi aos aposentos do jovem Adônis e, assim, os dois começaram um romance.

Como em uma previsível e dramática história de amor, é de se esperar que Afrodite fizesse algo para trazer o amado de volta. Assim, a deusa decide ir ao submundo para salvar Adônis, mas Hades, já conformado com o caso extraconjugal da esposa, se impõe e acaba expulsando Afrodite do lugar. Furiosa, ela promete acabar com todo o amor existente entre os casais do mundo todo.

O acordo final

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O problema foi tanto que o assunto chegou ao Olimpo. Hera, esposa de Zeus e deusa da fidelidade exigiu que o marido tomasse uma providência. Ele então decidiu convocar Hades, Perséfone e Afrodite para resolver de vez a situação.

Zeus, como bom criador de acordos, sugere que Hades e Perséfone abram mão da permanência de Adônis da seguinte maneira: o jovem passaria um terço do ano no submundo, outro terço com Afrodite, e no último terço, poderia passar sozinho como melhor desejasse.

Apesar de Hades não concordar e reafirmar que Adônis pertencia como servo à sua esposa, Perséfone abre mão do jovem pelo período de dois terços do ano para um bem maior.

Acordos feitos, Adônis partia na primavera para encontrar Afrodite. Durante o verão, o jovem podia usufruir como quisesse, porém, essa era a mesma época em que Perséfone ia à superfície para passar um tempo com sua mãe, Deméter.

Para a alegria da rainha do submundo, muitas vezes os dois passavam um tempo a mais juntos na superfície antes de partirem para o Hades no inverno.

Essa trama deu origem à lenda de que verões mais intensos e invernos mais prolongados são fruto do desejo de ambas deusas de passar mais tempo com o jovem Adônis.

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Brenda é oceanógrafa e curiosa por natureza. É redatora de artigos voltados para ciência e divulgação científica, tradutora e apresentadora do canal Descontrartigo no YouTube. A mitologia grega fez parte das histórias contadas na sua infância.

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