Faetonte, filho de Apolo

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Primeiramente gostaria de esclarecer que este artigo foi inspirado na versão do mito de Faetonte escrito por Ovídio no seu grande sucesso Metamorfoses. Vamos lá?!

Por serem filhos de deuses, às vezes, as seguintes gerações ficavam loucas para demonstrarem aos seus pais que eram capazes de feitos grandiosos tanto quanto eles. Porém, tanto entusiasmo e impulsividade pode terminar em tragédia. Essa é a história de Faetonte.

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Filho de Apolo, deus do Sol, e da ninfa e mortal Climene, Faetonte cresceu sem espaço para dúvidas a respeito de seu progenitor divino. Sua mãe nunca lhe escondera a verdade, portanto, o jovem sempre teve para si que seu pai era, de fato, um deus.

No entanto, com o passar dos anos, Faetonte viu-se rodeado por dúvidas acerca de sua origem, visto que outros meninos da sua vizinhança passaram a duvidar que ele poderia realmente ser filho de um deus, zombando de sua crença. Assim, ele resolveu confrontar a mãe e apelando para seu lado emotivo, abraçou-a implorando por ela mesma para que desse uma prova de ele ser filho legítimo de um deus.

Climene estendeu seus braços para os céus, olhou para o Sol e chorou, jurando ao seu filho pelo brilho da estrela e pela luz flamejante que os escutava naquele momento que Apolo, o deus do Sol que governava todo o planeta, era seu pai. A mulher explicou que a casa de seu pai não seria encontrada com muita dificuldade, pois o lugar onde ele surgia todos os dias fazia fronteira com sua própria terra, mandando-o ir, se assim fosse o desejo de seu coração.

Assim, Faetonte resolveu ir de encontro com seu pai, rapidamente alcançando o lugar onde vivia o deus responsável pelo sol nascente. O palácio do Sol surgiu com grande magnificência, apoiado em colunas firmes, brilhando como ouro e bronze flamejante, com portas duplas encrustadas de prata, uma arte que era ainda mais nobre.

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O jovem deu de cara com vários deuses relacionados ao mar, como o Tritão e seu chifre, Dóris e suas filhas Nereidas penteando os longos cabelos verdes sentadas nas rochas. Na terra, pessoas e cidades, madeiras e animais gravados. Os símbolos do zodíaco, seis em cada porta, estavam postos acima.

O filho de Climene subiu uma ladeira íngreme até entrar no palácio de seu – ainda incerto – pai. Lá, abiu caminho e ficou de longe, impossibilitado de se aproximar da luz reluzente. Lá estava Apolo, envolto em vestes vermelhas e sentado em seu trono cintilando esmeraldas.

Apolo, que podia perceber a presença de quem fosse, se deu conta de quem era o jovem. O deus deu-lhe as boas-vindas, perguntando o propósito de sua viagem e chamando-o de meu filho. Faetonte, em um misto de respeito e admiração, se deu conta de que sua mãe não estava mentindo: de fato, ele havia conseguido a prova que tanto buscava.

O deus do sol foi extremamente carinhoso com seu filho, chamando Faetonte para perto dele e o envolvendo com seu coração. Disse que o jovem era merecedor de ser seu filho e, para provar sua linhagem e fazer jus à promessa feita à Climene, pediu que Faetonte fizesse o pedido que quisesse ao seu pai, que ele lhe concederia.

Em uma ambiciosa e impulsiva resposta, o jovem pediu ao pai para controlar sua linda carruagem do Sol por um dia. Aflito e surpreso com sua resposta, Apolo se impõe, dando um passo atrás de sua promessa. Um deus como ele jamais poderia conceder este desejo a nenhum outro deus, imagine a um filho mortal.

De todas as formas, Apolo tentou dissuadir o filho de tamanho perigo e infelicidade em sua escolha, alegando que nem mesmo Zeus, o tão poderoso e cujas mãos atiram poderosos raios, era permitido de realizar tal feito.

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Dessa forma, o deus do sol continuou a fazer a cabeça de Faetonte, explicando como a jornada com a carruagem funcionava e quão perigosa e difícil era. O início da jornada era completamente íngreme, seguido de uma altura tão grande, no sol de meio dia, que seu próprio coração era inundado por medo e agonia ao ver terra e mar de tão alto. Ele dizia sobre os céus que giravam, as constelações e os polos os quais ele precisava atravessar e ir contra. Caso resolvesse entregar sua carruagem à Faetonte, o que lhe aconteceria?

Apolo também apelou para o lado emotivo do filho, dizendo que se tão grande era sua dúvida, que a sanasse a partir da preocupação e medo paternos expressado por ele e que acreditasse nisso. Ainda assim, teimoso como só ele, Faetonte queimava de desejo para dirigir a carruagem do pai.

Não restou alternativa. Relutante, Apolo concedeu-lhe o desejo e levou-o até sua carruagem. Deu-lhe uma pomada mágica para proteção contra o calor, além de muitos conselhos a respeito do caminho. Faetonte deveria tomar cuidado com a estrada direta às cinco zonas, com a Ursa Maior e, ainda mais importante, deveria manter o equilíbrio para não dirigir tão alto e queimar os palácios dos céus, nem tão baixo para queimar a própria terra.

Faetonte partiu. O que ambos não contaram foi com o peso no qual a carruagem estava acostumada em carregar: tudo parecia muito leve, começando a perder o equilíbrio e controle. Assim, os cavalos, em advertência, correram selvagemente e afastaram-se da estrada principal. O jovem se amedrontou, já não podia usar as rédeas nem sequer distinguir onde estava a estrada.

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Em meio a tanto caos, Faetonte já não tinha mais controle das rédeas e os cavalos galopavam sem rumo. Todos estavam, de alguma forma, sendo afetados por sua inexperiência e assim foi caindo Faetonte, a carruagem e os cavalos em direção à Terra.

O rio Nilo, em pavor ao fim do mundo, escondeu sua nascente, a qual permanece oculta até hoje. A mãe Terra gritou em dor e sofrimento pelo grande calor e vapor trazidos de uma só vez e por toda calamidade e destruição, apelando à Zeus que tomasse alguma providência. Não haviam mais nuvens nem chuva para abrandar o calor.

Então, Zeus lança um de seus raios, fatalmente matando Faetonte e destruindo a carruagem.

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Os cavalos foram jogados nas profundezas do oceano e o corpo do jovem foi para o rio Eridano. Suas irmãs Náiades o enterraram, com dizeres a respeito de tamanha queda, mas tamanha ousadia e glória de seus sonhos.

Você já conhecia a lenda de Faetonte? E que tal compartilhar?share-facebook-200

Brenda é oceanógrafa e curiosa por natureza. É redatora de artigos voltados para ciência e divulgação científica, tradutora e apresentadora do canal Descontrartigo no YouTube. A mitologia grega fez parte das histórias contadas na sua infância.

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